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gio, o que vive agora, é sim o mais importante de sua carreira e como você imagina que será o trabalho daqui pra frente?
Gus Monsanto – Sem dúvidas, ele é o mais importante. Conseguir estar numa banda do calibre musical do Revolution Renaissance, cujo direcionamento musical é exatamente onde me vejo dentro da música. Daqui para frente, espero ter uma continuidade desse trabalho e poder sempre estar fazendo música relevante, feita de coração
Metal Clube - Em 1997 você se uniu ao Overdose, uma das mais importantes bandas nacionais. Como foi a mudança de estilo, sua adaptação? Já que sua banda antecessora era de Hard Rock.
Gus Monsanto - É engraçado, porque eu fiz parte de outras bandas conhecidas como o Takara e como o Adagio, Além de tocar com Timo Tolkki, um dos maiores nomes da história do Heavy Metal, Mas tocar no Overdose foi efetivamente a única vez na minha carreira inteira, onde não pude acreditar estar tocando na banda. Eu tinha todos os discos do Overdose até então, considero uma banda muito importante na história do metal nacional. (pausa)
Foi uma honra fazer parte da banda por 2 anos, dividir o palco com bandas como Whitesnake, Megadeth e Queensrÿche e aprender tanto com eles. Vale lembrar que o guitarrista na época era o Jairo Guedez, que fez parte do Sepultura e The Mist, um grande músico.
Eu amo Hard Rock, mas nunca me limitei a ouvir só esse estilo, sempre curti coisas mais pesadas. A minha primeira banda “tava” super devagar nessa época e eu via que se eu não desse outro rumo para a minha careira, eu ia acabar parando junto à banda. Nós todos nos decepcionamos quando os resultados do nosso primeiro CD não foram os esperados.
Outra curiosidade, é que no Overdose, eu não era vocalista, fazia só backings, era o baixista da banda, o que me fez dedicar muito tempo, pois as músicas eram tecnicamente difíceis em um instrumento que não era o meu de origem. Tenho ótimas memórias da banda, de Belo Horizonte e muitos amigos até hoje por lá, tentando visitá-los sempre.
Metal Cube - E você gostou do ofício de baixista?
Gus Monsanto - Eu comecei tocando guitarra aos 10 anos de idade e sempre achei o baixo um instrumento fabuloso. Inclusive, posso dizer que tive a honra de tocar com o meu baixista predileto, Franck Hermanny, com quem trabalhei por 4 anos no Adagio e ainda trabalho esporadicamente.
Metal Clube - Toda experiência é importante, mas você acredita que o Overdose te preparou para o dia de hoje?
Gus Monsanto - Não que tenha me preparado, foi mais um degrau, uma etapa a ser passada.
Metal Clube – Depois disso, em 2001, você decidiu ir para os Estados Unidos, onde foi entregar o Monkey Bite e logo depois o Astra. Você pode dizer quais as principais diferenças enfrentadas pelas bandas nos EUA e no Brasil?
Gus Monsanto - Na verdade, o Monkey Bite foi a única banda que tive nos Estados Unidos. O Astra foi uma banda baseada em São Paulo.
2001 foi a pior época para eu ter ido para os Estados Unidos, com a coisa do 11 de setembro. Apesar disso, fizemos muitos shows, chegamos inclusive a abrir para o Ratt. Éramos um power trio, onde eu tocava baixo e cantava e pude trabalhar com um de meus músicos favoritos, Marc Ferreira, um grande guitarrista e vocalista, excelente compositor que hoje em dia brilha nas bandas Goodbye Thrill e Venturia.
Uma coisa legal nos Estados Unidos é que a maioria das casas e clubes de rock tem grandes profissionais especializados em áudio. Às vezes você viaja sem um “soundman” e o som acaba sendo bom. Isso seria impensável no Brasil. Isso é somente uma pequena amostra para ilustrar os universos diferentes.
divulgaçãoMetal Clube - Imagino que o 11 de setembro afastou as pessoas das ruas, das baladas, dos shows. Mas como é o público americano?
Gus Monsanto – É. (pausa) Legal, o rock é a música deles. Toquei nos Estados Unidos de novo em 2004, com o Adagio e em 2005. É sempre uma grande experiência.
Metal Clube - Aí, em 2004, você foi para a França fazer parte do Adágio. Fale um pouco do cenário francês e europeu num geral.
Gus Monsanto - Esse foi um momento crucial na minha vida porque eu “tava” começando a desanimar após tantos anos de luta.
A França não é um país com muita tradição no metal, mas tem artistas excepcionais, como o Venturia, que eu mencionei acima e Christophe Godin é um dos maiores guitarristas do mundo. O publico é fiel, no entanto, super bem-informado e existem muitos fãs de metal, embora menos do que em outros países europeus, como Alemanha, Suécia e Finlândia
Metal Clube - Após viver todas essas experiências, você consegue apontar os lados positivos e negativos no cenário metálico no Brasil? Além disso, você consegue ver alguma solução para estes pontos negativos, já utilizada por onde você passou?
Gus Monsanto – Cara. Negativos são os nossos problemas econômicos que se refletem em mil maneiras diferentes, de mil maneiras diferentes. Outro problema é a falta de patriotismo do brasileiro. Eu tenho um blog, o Almah) falando sobre união e desunião de banda e fãs.
O Heavy Metal já tem um espaço pequeno, que vai se tornar ainda menor caso não se mude a mentalidade. Não temos MUUUUITAS bandas excepcionais, mas temos algumas deveríamos abraçá-las e fazer com que essas bandas cresçam, sabe?
Metal Clube - Uma curiosidade que muitos têm: que tipo de perrengue uma banda passa na Europa para divulgar seu trabalho? Afinal, para os brasileiros tudo parece mais fácil por lá.
Gus Monsanto – Cara. Existem mais espaços para tocar e divulgar o trabalho. Mas, ao mesmo tempo, existe falta de grana e tantos outros problemas comuns as nossas bandas. É engraçado, porque a gente acha que lá é o paraíso e é triste para mim ser o cara trazendo as noticias ruins. Mas, às vezes, parece que quanto mais perto se chega, mais ainda falta, sabe?
Metal Clube - Sei. Lá também dá vontade de desistir.
Gus Monsanto - Na verdade, tenho minha teoria sobre essa coisa de desistir. Acho que as pessoas que continuam a fazer música depois de tanto tempo e tanta pancada, são reais sobreviventes e pessoas que tem uma necessidade REAL de estar fazendo música. Não é romantismo, mas é questão de não conseguir se vir fazendo outra coisa.
Metal Clube - Você se denomina como um destes sobreviventes?
Gus Monsanto – Sem dúvida nenhuma.
Metal Clube - Mesmo de longe, você acompanha as novidades daqui, tem alguém/banda que você gostaria de destacar?
Gus Monsanto - Sim. Produzi o disco de uma banda de Metal chamada Skyrion, da qual tenho muito orgulho. Participei também do disco de uma banda nova chamada Painside, do Rio de Janeiro, que é muito boa. Acho que temos talentos incríveis aqui no Brasil, não necessariamente bandas novas despontando, mas super artistas dentro do som pesado.
Metal Clube - Agora, vamos falar do Revolution Renassaince, como é entrar para a nova banda de uma das maiores lendas do metal mundial, Timo Tolkki. Ainda mais sabendo que você foi o escolhido entre outros mil candidatos do mundo todo?
Gus Monsanto - Foi uma grande honra...
Na verdade, vocalistas foram mais de 400 a mandar material, e somando aos postulantes aos outros instrumentos, creio terem sido bem mais de 1000 candidatos. Interessante foi isso ter pintado 2 dias após a minha separação do Adagio, banda com a qual passei 4 anos e viajei o mundo todo. “Tava” na California, gravando o disco do Takara, com a cozinha do Malmsteen, num astral super bom, quando o Timo divulgou eu ter sido o escolhido. Foi um dia inesquecível e muito especial na minha carreira. Uma grande honra fazer parte de uma banda com o grande Timo.
Metal Clube - Lembro-me de ter até termos divulgado uma noticia q você era o novo vocal do Takara e aí tudo mudou de novo.
Gus Monsanto - Na verdade, não mudou. Eu substituí o Jeff Scott Soto no Takara e o disco acabou saindo em novembro último. Se chama "Perception of Reality", para o qual compus 9 músicas. Só que o Takara não tem tocado ao vivo, o Neal ainda não levou a banda para a estrada, enquanto o Revolution Renaissance é uma banda com esse foco: Álbuns e tours.
Metal Clube - Mas você é um artista de estúdios ou shows?
Gus Monsanto - Shows são uma grande parte de quem eu sou. Gravei várias partici
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